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segunda-feira, 31 de março de 2014

LIVE AND LET DIE

             Quantas certezas podemos ter em nossas vidas? Ninguém garante que encontraremos nossas almas gêmeas, que veremos nossos sonhos se realizarem ou que seremos felizes. Não há pessoa que possa dizer que ficará tudo bem, que as coisas vão dar certo. Certeza, de verdade, só temos uma: não somos eternos. Muitos têm medo, preferem não encarar tal fato, mas não há para onde fugir, não há segunda opção. Morreremos todos.  Cedo, tarde ou muito tarde, morreremos todos.  Então, porque se esconder? Não há motivos para fechar os olhos. Portanto, pensemos na morte, pois ela pensa em nós.
            O que venho propor aqui é um exercício reflexivo, sustentando por uma pergunta bastante simples: e se você morresse hoje?

            “Eu morreria, ué!”

            Sim, mas seus sonhos, você conseguiu realizar? Você disse “eu te amo” para a pessoa certa? Você fez tudo que queria fazer? Você partiria desta vida feliz?
            Perguntas simples, respostas não tão simples assim. Questões para se pensar debaixo do chuveiro, ou com a cabeça sobre o travesseiro. Na ficção, os fins das histórias trazem as respostas que buscamos, e na vida real não é diferente. Encare o dia de hoje como seu fim, e, quem sabe, algumas coisas se tornem mais claras.
            Eu? Bem, ainda tenho muito que viver. Mal comecei a sonhar meus muitos sonhos. Disse “eu te amo” com frequência, do meu jeito, para uma quantidade considerável de pessoas. Calma, não sou um cara promíscuo. Refiro-me aos meus amigos, amigas e indefinidos. Eles são a única coisa valiosa que tenho, e não preciso de mais nada para ser feliz. Não fiz tudo o que queria fazer, mas fiz o que deu, um pouco a cada dia. E sim, eu morreria feliz, mais feliz do que juguei um dia ser possível. Pobre, desempregado, encalhado e mal vestido, mas escandalosamente feliz.
              Se eu morresse hoje, muitos ficariam fazendo fofoquinhas pelo Facebook e WathsApp sobre a causa da minha morte. Alguns chorariam. Poucos sorririam, lembrando-se de qualquer bom momento que tenham passado ao meu lado. Cremem meu corpo, e guardem as cinzas até o próximo carnaval, para usar como confete. Façam uma “cerimônia” de despedida legal, animada, bem humorada e criativa. Sem drama, por favor. Sempre fui feliz e pouco convencional, então não há porque meu funeral ter cara de funeral. Se possível, façam um vídeo de homenagem bacana, ao som de qualquer música do Imagine Dragons, de preferência. Se quiserem insistir em usar uma música triste, sugiro “I Raise My Cup to Him”, da Anaïs Mitchell. Não usem “Firework”. É sério. Não é só porque sou fã da Katy Perry que vou querer essa palhaçada na minha despedida. Por fim, desejo ser lembrado como um puta cara bacana, inteligente e nem um pouco convencido. Vocês podem fazer isso por mim?

            Ótimo.

            Como eu já disse lá em cima, ainda tenho muito que viver. Por este motivo, termino o texto por aqui, e deixo a sugestão: planeje seu próprio funeral. É uma experiência extremamente libertadora e esclarecedora. Mas não dê mais importância para a morte do que dá para a vida. Um quarto escuro é apenas um quarto escuro. O fim da história é apenas o fim da história. 

2 comentários:

Claudio Chamun disse...

Show de bola! kkk
Minha frase de apresentação no falecido Orkut era:
Quando eu me for, ria porque eu sou um palhaço.
Devemos ser lembrado com alegria.
Grande abraço.

Ritadecassia Meira disse...

Adorei texto reflexivo muito inteligente